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António Chainho

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António Dâmaso Chainho é o nome de batismo do músico e compositor português que, entre outras distinções, foi considerado pela prestigiada revista internacional Songlines “um dos 50 músicos mais influentes da World Music”. Com um percurso que se confunde e é indissociável da história da guitarra portuguesa: Mestre António Chainho.

Já deu numerosos concertos nos quatro cantos do mundo, o que só por si já é prova do seu reconhecimento internacional. A fusão com outras culturas é uma marca na sua diversificada discografia, editando trabalhos com sonoridades indianas e brasileiras, entre outras, sendo por isso considerado um dos mais notáveis embaixadores da guitarra portuguesa. António Chainho vive há cerca de 50 anos na cidade da Amadora.

O Mestre da guitarra nasceu em 1938, em São Francisco da Serra, uma aldeia do concelho de Santiago do Cacém, no Baixo Alentejo. Aos oito anos, a guitarra que o pai tocava e que mantinha por cima do balcão da sua taberna exercia nele um enorme fascínio. Nesta tenra idade iniciou a solo a descoberta deste instrumento e aos treze anos já acompanhava os fados da Amália cantados pela mãe, melhor que qualquer outro guitarrista da região. Cumpriu o serviço militar em Beja e Moçambique. Neste país africano lançou as sementes para o que viria a ser a sua carreira artística profissional, comparticipações em programas na “Rádio da Beira” e na “Rádio Nampula”.

No início dos anos 60 muda-se do Alentejo para Lisboa e estreia-se na casa de fados “A Severa”. Seguiu-se “O Faia”, “O Folclore” e “O Picadeiro”, da qual foi proprietário e onde cultivou e aprofundou o amor pela guitarra portuguesa.

Em 1967 formou um conjunto musical de fado com o guitarrista José Luís Nobre Costa, José Maria Nóbrega na viola e Raul Silva na viola baixo.
Entre outros ícones do fado, acompanhou Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Carlos do Carmo, Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Frei Hermano da Câmara e Hermínia Silva.
O mestre António Chainho levou o som único da guitarra portuguesa ao mundo inteiro tanto em concertos a solo como partilhando o palco com grandes nomes da música como Paco de Lucía, John Williams ou Jose Carreras. Em 1980 iniciou a sua própria discografia com o álbum “Guitarra Portuguesa”. Anos mais tarde lança um segundo disco gravado com a Orquestra Filarmónica de Londres. Antes já havia gravado 4 EP´s instrumentais para várias editoras.

Nessa altura experimenta o contacto com outras culturas e partilha a guitarra portuguesa com a voz de cantoras de outros países, como as brasileiras Fafá de Belém, Maria Betânia e Gal Costa, a espanhola Maria Dolores Pradera, a japonesa Saki Kubota ou a norte-americana KD Lang. A sua forte ligação ao Brasil, com numerosos contactos para espetáculos, permite colaborações com artistas como Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, Armandinho e Dominguinhos, entre outros.

Em 1998, lança o álbum “A Guitarra e Outras Mulheres” que atingiu disco de ouro, onde é acompanhado na voz por um talentoso grupo de senhoras: Teresa Salgueiro, Marta Dias, Filipa Pais, Ana Sofia Varela, Elba Ramalho, Nina Miranda (Smoke City). Entre os músicos deste álbum estão alguns dos músicos de Nova Iorque, como Bruce Swedien, Greg Cohen e Peter Scherer. Dois anos depois lança o álbum “Lisboa –Rio”, com os brasileiros Celso Fonseca e Jaques Morelenbaum, que se veio a revelar um enorme sucesso tendo sido nomeado para um Grammy.

Como todos os verdadeiros talentos, ciente da herança cultural que transporta, António Chainho assume um relevante papel pedagógico enquanto Mestre da Guitarra Portuguesa. A sua profunda aprendizagem pessoal é transmitida através do papel desempenhado na fundação da primeira escola de guitarra portuguesa em Lisboa. Este era um sonho que o Mestre António Chainho acarinhou durante 12 anos e que contribuiu para o movimento que conduziria à criação do Museu do Fado e também na criação das suas próprias escolas em Santiago do Cacém e Grândola.

Em 2009 é homenageado na sua terra natal, Santigo do Cacém, com a medalha de Ouro da Cidade e com a atribuição do seu nome ao Auditório Municipal, inaugurado a 23 de Maio. Nas comemorações dos seus 50 anos de Carreira, em 2015, o Município atribuiu-lhe a “Chave da Cidade”. Antes já havia sido distinguido pelo estado de Rhode Island, nos EUA e pela Escola de Artes de Bangalore, na Índia, país onde organizou uma série de formações de guitarra portuguesa e Fado.

Na sequência do lançamento do CD “Entre Amigos”, Mestre António Chainho foi distinguido com dois prémios: a Medalha de Mérito Municipal atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa e o Prémio Prestígio dos Prémios Amália 2012. Em 1981 e em 2001 foi-lhe atribuído o mais prestigiante Galardão à época, o Prémio da Imprensa.

Em 2015 são desafiados vários artistas a participar no seu disco de celebração de 50 anos de carreira, intitulado “Cumplicidades”, que atingiu rapidamente o primeiro lugar dos tops nacionais e onde se cruzaram nomes da música como Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Paulo de Carvalho, Ana Bacalhau, Fernando Ribeiro, Sara Tavares, Paulo Flores, Hélder Moutinho, Vanessa da Mata, Kepa Junkera, Raul de Oliveira e o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Serpa, curiosamente no ano em que o Cantar Alentejano é considerado Património Imaterial da Humanidade.

Na tournée do álbum “Cumplicidades”, que percorreu o país, atuou pela primeira vez na cidade da Amadora a 1 de Dezembro de 2015 no CineTeatro Municipal D.João V.

 

Novembro/2016

 

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