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Sessão Solene: 45.º aniversário - 25 de Abril

  • 25 de abril 2019
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    No passado dia 25 de Abril realizou-se o Hastear da Bandeira junto dos Paços do Concelho da Amadora, procedido da Sessão Solene Comemorativa do 45.º Aniversário do 25 de Abril, nos Recreios da Amadora

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    No passado dia 25 de Abril realizou-se o Hastear da Bandeira junto dos Paços do Concelho da Amadora, procedido da Sessão Solene Comemorativa do 45.º Aniversário do 25 de Abril, nos Recreios da Amadora

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    No passado dia 25 de Abril realizou-se o Hastear da Bandeira junto dos Paços do Concelho da Amadora, procedido da Sessão Solene Comemorativa do 45.º Aniversário do 25 de Abril, nos Recreios da Amadora

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    No passado dia 25 de Abril realizou-se o Hastear da Bandeira junto dos Paços do Concelho da Amadora, procedido da Sessão Solene Comemorativa do 45.º Aniversário do 25 de Abril, nos Recreios da Amadora

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    No passado dia 25 de Abril realizou-se o Hastear da Bandeira junto dos Paços do Concelho da Amadora, procedido da Sessão Solene Comemorativa do 45.º Aniversário do 25 de Abril, nos Recreios da Amadora

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    Receção aos Convidados e Público em Geral, nos Recreios da Amadora

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    Momento Musical :

    Trio de Madeiras da Banda Sinfónica do Exército, composto pelos senhores Primeiro-Sargento Salvador Parola, Primeiro-Sargento Paulo Sousa e Soldado Hugo Mendes

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    Mesa da Sessão Solene

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    Composição da Mesa

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    Representante do MIPA: Carlos Pagará    

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    Representante do PAN: Patrícia Caeiro

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    Representante do BE: Ackssana Rodrigues da Silva  

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    Representante do CDS-PP: Ana Catarina Bandarra

  • 16

    Representante da CDU: Martinho Baptista

  • 17

    Representante do PSD: Rita Nery

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    Representante do PS: Fábio Ramalho

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    Presidente da Câmara Municipal da Amadora: Drª Carla Tavares  

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    Presidente da Câmara Municipal da Amadora: Drª Carla Tavares

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    Presidente da Câmara Municipal da Amadora: Drª Carla Tavares

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    Presidente da Assembleia Municipal da Amadora: Dr. António Ramos Preto  

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    Presidente da Assembleia Municipal da Amadora: Dr. António Ramos Preto  

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    Presidente da Assembleia Municipal da Amadora: Dr. António Ramos Preto  

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    Presidente da Assembleia Municipal da Amadora: Dr. António Ramos Preto  

 

Discurso Presidente da Assembleia Municipal da Amadora

Dr. António Ramos Preto

 

Ex.ma Senhora Presidente da Câmara Municipal, Sra. Dra. Carla Tavares

Senhor Comandante da Academia Militar, Sr. Major-General Vieira Borges

Senhor Comandante do Regimento de Lanceiros N.º 2, Sr. Coronel Gonçalves Mateus também em representação do Sr. Comandante das Forças Terrestres

Senhor Representante do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Sr. Tenente-Coronel José Ferreira

Senhor Comandante do Corpo de Alunos da Academia Militar, Sr. Coronel Alves de Bastos

Representante do Comandante da PSP, Sr. Subcomissário Ruben Cunha

Senhor Comandante dos Bombeiros Voluntários da Amadora, Sr. Mário Conde

Senhor Bastonário da Ordem dos Engenheiros Técnicos, Sr. Engenheiro Augusto Guedes

Presidente da Delegação da Amadora da Ordem dos Advogados Sr. Dr. Manuel Fernando Ferrador

Senhoras e Senhores Vereadores

Senhoras e Senhores Membros da Assembleia Municipal

Senhoras e Senhores Presidentes de Juntas de Freguesia e Assembleias de Freguesia

Senhores Presidentes das Empresas do Concelho da Amadora

Senhores Presidentes das mais relevantes Associações da nossa Cidade

Minhas Senhoras e Meus Senhores

Em primeiro lugar quero dirigir um cumprimento e um agradecimento, muito especial, aos militares, membros do Trio de Madeiras da Banda Sinfónica do Exército, Senhores Primeiro- Sargento Salvador Parola, Primeiro-Sargento Paulo Sousa e Soldado Hugo Mendes que nos honraram com a sua intervenção no início desta Sessão Solene comemorativa do 25 de Abril de 1974, respondendo ao convite que formulei à Banda Sinfónica do Exército Português.

É um privilégio para esta Assembleia Municipal poder contar com a vossa participação, que representou uma mostra do que melhor temos nas nossas forças armadas, neste particular.

A excelência da execução das peças que nos apresentaram e a adequada escolha do vosso reportório, impõe que reitere a nossa gratidão pela vossa disponibilidade e pelo brio e excelência da vossa actuação.

Bem hajam.

Um agradecimento também muito especial aos Bombeiros Voluntários da Amadora que nos acompanham com brio nesta Sessão Solene, honrando-nos com a sua presença, o nosso muito obrigado.

Minhas Senhoras e meus Senhores

Iniciarei a minha intervenção nesta Sessão Solene, alusiva ao 45.º Aniversário do 25 de Abril, citando o grande escritor José Cardoso Pires, figura maior da literatura contemporânea portuguesa e que a Amadora homenageia, diariamente, através da actividade da Escola Cardoso Pires.

“Largo do Carmo do ano de 74, quem o pode esquecer?

Era Primavera e a Capital proclamava a Revolução dos Cravos diante dos Donos da Ditadura encurralados num quartel”. (fim de citação).

Os donos da ditadura encurralados num quartel e as forças armadas portuguesas na rua, de braço dado com o povo, a impor-lhes a rendição.

Um capitão do exército português, consciente, como tantos outros seus camaradas de armas, do estado a que isto chegara, comandava o cerco ao quartel do Carmo, ele próprio e a sua força militar envolvidos e rodeados por centenas de civis que lhes davam ânimo e os incentivavam a prosseguir nessa nobre missão de devolver a Liberdade a Portugal.

Os privilegiados que viveram o momento da rendição dos donos da ditadura, não podem esquecer a completa sintonia entre jovens e adultos e os soldados e oficiais das forças armadas portuguesas, ali presentes.

Jovens que aplaudiam a passagem dos militares libertadores e corriam atrás dos carros de combate, os quais não eram mais vistos como instrumentos de uma guerra, mas sim como elementos de manutenção da Paz e da Liberdade.

A esperança que perpassava pelo coração e pela alma daqueles jovens, civis e militares, que tinham o privilégio de pertencer a uma geração, que vivia uma revolução, facto que não ocorre, normalmente, na vida de cada um de nós quando se tem dezoito ou vinte anos, era fruto do ânimo nacional de que, de ora em diante, tudo seria possível.

Seria possível criar um país arejado, limpo, liberto e esperançoso, em que todos tivessem a oportunidade de ir mais longe e de serem felizes.

Vivemos, nos primeiros meses, irmanados na Esperança, acreditando que as forças armadas saberiam respeitar os anseios mais profundos do povo português, que estava cansado de estar orgulhosamente só, ele que, desde sempre, fora um povo aberto ao outro e à sua descoberta.

A censura, o aparelho repressivo e a pequenez dos sicários e dos donos da ditadura tinham de dar lugar à Liberdade que nos permitia novos horizontes, novas fronteiras, novos encontros com outras culturas europeias e de outros continentes, com povos com quem durante séculos partilháramos conhecimento, ideias, comércio e amores.

E tudo isso tinha de ser conseguido através da estruturação do poder político assente nos princípios e nos valores instituidores das democracias europeias do século XX.

Daí que o papel das forças armadas portuguesas fosse determinante à consolidação de uma República Democrática.

Na verdade as forças armadas sempre foram um referencial para a Nação Portuguesa desde a sua génese e nos últimos anos da ditadura a sua dimensão, por efeitos das sucessivas incorporações de jovens portugueses, tendo em vista a participação em combate na guerra colonial, atingira níveis talvez só comparáveis aos da nossa participação na 1.ª Grande Guerra, entre 1914 e 1918.

Esse facto permitiu que os jovens portugueses começassem a ter uma enorme e profunda percepção e conhecimento das nossas forças armadas e da sua actividade em África, porque todos, desde que íamos à inspecção começávamos a perspectivar um futuro próximo marcado pela guerra.

Que não era o de ser médico, engenheiro, serralheiro, advogado, maquinista, agricultor, veterinário ou pintor, mas era o de, findo o curso do liceu ou da escola industrial, ou da faculdade ou do politécnico, sermos incorporados para uma guerra que não tinha qualquer significado para a maioria dos jovens portugueses, a não ser a angústia de suas mães, os receios de seus pais, o afastamento de suas mulheres e filhos e o compasso de espera dolorosa, tantas vezes, das suas namoradas ou noivas.

Estas eram, em 1974, umas forças armadas, constituídas não por uma elite militar desfasada do povo.
Elas eram maioritariamente constituídas pelo povo português.

Elas eram o povo português, eram os filhos dos portugueses, os nossos soldados que, depois de terem combatido em África durante dois ou quatro dos melhores anos das suas vidas, voltavam para as suas mães e para as suas amadas, para não falar nos que regressavam à Pátria em caixões de pinho para não mais se fazerem ao mar, como dizia o cantor.
E, esse povo ia fazendo o seu caminho e um dia haveria em que o desfasamento entre as forças armadas, no seu conjunto e na sua maioria, e o pensamento dos donos da ditadura fosse de tal extensão e profundidade que teria de se verificar uma ruptura e os militares, tendo perfeita percepção da realidade, haviam de impor outro caminho.

O caminho da Liberdade, o caminho do Desenvolvimento, o caminho da nossa participação na vida da Comunidade Internacional.

Em boa hora o povo português, em eleições livres, e através dos seus representantes eleitos democraticamente, soube se manter em sintonia com a estratégia de Democratizar, Desenvolver e Descolonizar.

Este pensamento e programa de acção foi o fermento que nos permitiu, nos primeiros anos da nossa Democracia, dar saltos qualitativos dignos de realce, num povo que vinha de uma ditadura tão longa, tão obscena e tão mesquinha.
Criou-se então uma sociedade pluralista e aberta, com partidos políticos e associações patronais e sindicais, essenciais à democracia representativa.

Através do acesso gratuito à escola pública potencializou-se o acesso ao ensino superior como nunca tinha acontecido neste país.

Criou-se o Serviço Nacional de Saúde como instrumento que permitiu a universalização do acesso aos cuidados de saúde.
Estabeleceu-se, por lei, o Salário mínimo garantido e um sistema de Segurança Social que todos os portugueses acarinham.

Promoveu-se a descolonização, aderiu-se às Comunidades Europeias e somos membros de pleno direito da União Europeia.

Criámos a Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa e consolidámos ainda mais a língua de Camões e somos país fiável no concerto das Nações Unidas onde um português nos orgulha ao exercer as funções de seu Secretário-Geral.

Temos, decorridos estes quarenta e cinco anos, uma das gerações mais qualificadas, completamente capaz de se integrar num espaço económico e político, não de nove milhões de habitantes, mas sim de cerca de quinhentos milhões de cidadãos.

Por fim uma nota para realçar o actual prestígio das nossas forças armadas que têm tido um papel relevante em acções militares externas de apoio a deliberações de organizações internacionais e que têm sido agraciadas, pelo valor com que têm cumprido a missão confiada, como aconteceu em Março passado com a medalha de mérito das Nações Unidas.

Sabemos e orgulhamo-nos com o seu prestígio, que resulta da sua capacidade e da enorme disponibilidade de saber compreender o outro e os seus problemas concretos.

Sempre nos ensinaram que, quando falamos das forças armadas, há que ter presente a Segurança e a Defesa interna e externa do Estado Português, enquanto sujeito soberano de direito internacional.

Nobre missão que tem de ser entendida e interiorizada pelos nossos jovens porque, como dizia Loureiro dos Santos, “Um Estado sem instrumentos propiciadores da sua segurança não será capaz de conseguir o bem-estar dos respetivos cidadãos.”

Estabelecer uma relação de enorme proximidade entre as forças armadas e os jovens das nossas escolas é determinante para que, no futuro, e desde sempre, estes jovens se revejam no papel das nossas forças armadas no contexto da Defesa e Segurança Nacional.

É aos jovens nas nossas escolas que temos de ensinar, também, que “as forças armadas são um exemplo dos valores, de liderança, de carácter e de cidadania que lhes são imanentes”, nas palavras de Vieira Borges.

São estes os valores que nos ajudarão a consolidar uma sociedade mais justa e mais solidária onde cada um possa fazer valer as suas próprias qualidades.

Temos o privilégio de ter hoje no território do nosso Município o estabelecimento de ensino superior de referência das nossas forças armadas – A Academia Militar:

Academia Militar que é o símbolo de um ensino superior militar de excelência, de grande qualidade que, como realçou em Março o Sr. Presidente da República, “é reconhecida internacionalmente na Aliança Atlântica, na União Europeia e nas Nações Unidas” referindo ainda que nas missões que desempenhamos lá fora, todos admiram e louvam a qualidade do nosso ensino militar.

Por isso quero enquanto Presidente da Assembleia Municipal da Amadora, neste 45.º Aniversário do 25 de Abril deixar aqui uma palavra de agradecimento e de louvor pelo trabalho da Academia Militar e de todos os militares e professores que lhe dão vida na pessoa do Senhor Tenente-General Vieira Borges que sempre esteve e está disponível, com a sua sabedoria, para a nossa e dele Cidade da Amadora. 

O país tem de ter uma atenção especial às nossas forças armadas, e ao estatuto, também remuneratório, que para elas queremos na nossa comunidade nacional.

Minhas Senhoras e meus Senhores

Celebramos este ano também o quadragésimo aniversário do Município da Amadora.

Saudamos todos aqueles que serviram a cidade, os funcionários da Assembleia Municipal, da Câmara e das Juntas de Freguesia e todos os Autarcas que ao longo destes anos se dedicaram à causa pública, relembrando por todos o Senhor Vereador Cumbre Tavares, que faleceu no exercício das suas funções ao serviço da nossa cidade.

Uma cidade feita de múltiplas vontades e necessidades, uma cidade de geometria variável, uma cidade onde convivem diversas Amadoras, às quais nos dedicamos, estamos atentos e de que nos orgulhamos.

O dever de qualquer autarca é o de ter uma correcta percepção da realidade.

Só assim, poderá abrir a administração pública às populações, pô-las a dizer o que pensam, ouvi-las e resolver as dificuldades, da sua vida, do seu dia a dia, seja no caminho para o seu trabalho, seja na envolvente escolar dos seus filhos e netos.

As viagens instrumentais (vulgo presidências abertas), em cada freguesia, foram, são e continuarão a ser importantes para se ficar com uma correcta percepção da realidade, que não é estática, e assim, mais facilmente, encontrar as soluções mais adequadas para os diversos problemas com que um autarca se depara no seu dia a dia.

Qualquer um de nós rapidamente percebe que, num território de 24 km2, havia e continua a haver situações, Amadoras, completamente distintas umas das outras e havia e há que continuar a promover políticas distintas, para cada situação dessas Amadoras em concreto.

As disparidades entre cada uma dessas Amadoras impunham, e impõem, medidas diferentes para este ou para aquele espaço territorial.

Um autarca só tem uma certeza no seu dia a dia.

Perante qualquer disparidade verificada tem de desenvolver acções concretas para a reduzir.

Só avançando foi e é possível derrubar os interesses estabelecidos e renovar a cidade numa lógica de a libertar da captura por esses interesses que durante décadas aqui se foram instalando.

Ao longo de quarenta anos e principalmente ao longo dos últimos vinte tudo temos feito para acabar com a Amadora Precária.

Amadora Precária, que convém lembrar era constituída, há mais de cinquenta anos, por milhares de barracas e que há vinte anos, depois do trabalho feito pela gestão do Município até 1998, se contabilizaram em 4.792.

Eram 4.792 barracas aninhadas e plasmadas, não numa zona concreta, deste pequeno território, mas dispersas pelos seus 24 km2, desde a Rua da Paiã, à Travessa da Reboleira, ao Casal de Alfornelos, à Azinhaga dos Bezouros, à Ribeira da Falagueira, ao Bairro da Alegria, às Fontainhas, ao Estrela de África ou ao Bairro Azul – Alto dos Trigueiros, entre outros.

Contra ventos e marés, contra adversários políticos e até contra camaradas de partido ou os chamados independentes, conseguiu a cidade realojar, até ao presente, pessoas que viviam em mais de 3.962 barracas dessa Amadora Precária, que todos rejeitam e repudiam em geral, mas que depois alguns, fruto do tacticismo político, se esquecem em particular.

Infelizmente muitos desses não sentem aquilo que defende a maioria da população da nossa Amadora.

Não compreendem porque muitos, a viver fora da Amadora, não sentem a premência da nossa urgência em acabar com este flagelo das barracas, que é um dos maiores atentados à imanente dignidade da pessoa humana e que nós, sociedade consciente, temos de saber erradicar, libertando a cidade desse estigma que a maioria dos nossos eleitores rejeita.
Tem a cidade tido alguns contratempos nesta luta, quer por parte de alguns governos de direita, quer por parte de alguns governantes de esquerda, que terão outras ideias.
Melhor fora que, neste particular, percebessem que a acção que a cidade está a desenvolver é adequada à política de acabar com essa Amadora Precária de modo a que possamos fazer mais felizes aqueles que ainda vivem nas restantes 830 barracas existentes e que temos a responsabilidade de fazer realojar.
Aproveito para dirigir uma mensagem a esses políticos que têm andado afastados do território da Amadora, mas que agora, em período eleitoral, vão aparecer aqui com muita frequência, para depois tudo acabar, para eles a seguir, em Outubro e regressarem na próxima campanha eleitoral. Aproveito para lhes relembrar que a legitimidade de quem exerce cargos electivos, no poder local, é muito forte e que deveriam aprender, ou, pelo menos ouvir atentamente aqueles, como nós, que têm a nobre missão de calçar as botas e calcorrear os caminhos enlameados desses bairros, para ajudarmos a tirar as pessoas dessa precariedade de vida que é viver numa barraca.

Sei que é mais fácil vir da Assembleia da República à Amadora do que ir visitar o Bairro do Lagarteiro ou o da Jamaica. É só andar uns dez ou quinze quilómetros e já cá estão, sem o aborrecimento dos engarrafamentos na Ponte 25 de Abril ou os 600 Km de ida e volta à cidade do Porto. 
Sei que as televisões também estão aqui em Queluz ou em Paço de Arcos ou na Expo e podem rápida e facilmente captar mais 2 ou 3 minutos de reportagem.

E mesmo quando alguns governantes, às vezes desfasados da realidade, tentam inventar algumas políticas, deveriam reflectir naquele velho ditado chinês que diz que “Apenas os que os usam sabem se os sapatos são adequados ou não.”

Daí que, na qualidade de Presidente da Assembleia Municipal, me permita dirigir-me a todos os que têm responsabilidade nesta matéria, quer no governo, quer na oposição, para lhes pedir que, humildemente, calcem também os nossos sapatos e venham acompanhar-nos nesta nobre missão de acabar com a Amadora Precária.

Em vinte anos a cidade da Amadora realojou a uma média de quase duzentos fogos por ano, num esforço hercúleo, único nos municípios da Área Metropolitana de Lisboa.

Sei que demos por bem empregue os fundos que alocámos a esta política.

Sei que os Amadorenses estão de acordo e querem que aceleremos o realojamento ou que pelo menos, mantenhamos o mesmo ritmo de modo a que, dentro de cinco ou seis anos, se não for antes, tenhamos as restantes 830 barracas também demolidas e as pessoas realojadas.

Já chega de ouvir teóricos sobre o modo de melhor realojar, porque no fim do dia o que verdadeiramente importa é resolver o problema das pessoas, em concreto, como temos feito e como a maioria da população exige.

Minhas Senhoras e meus Senhores

Esta cidade onde habitam cerca de 176 mil pessoas e que, sendo a mais densamente povoada de Portugal é, também, essencialmente, uma Cidade Solidária e é, também, uma Cidade da Tecnologia e do Conhecimento e uma Cidade da Saúde.

Cidade que não para de atrair investimento e na qual o Conselho Estratégico e Empresarial da Amadora, órgão consultivo do executivo, funciona como uma plataforma de colaboração na reflexão estratégica, promovendo uma actuação integrada entre o Município e a comunidade empresarial.

Destaco nos seus objectivos o potenciar dinâmicas económicas sectoriais específicas que contribuam para a definição conjunta de estratégias de desenvolvimento tecnológico, inovação e promoção do emprego qualificado.

E que melhor exemplo, entre outros, do que a Siemens ou a Nokia com os seus milhares de Engenheiros nas áreas tecnológicas e o seu novo Centro de Investigação e Desenvolvimento, para representar esta Amadora da Tecnologia e do Conhecimento.
Ou o imenso e vibrante pólo da Indústria Farmacêutica com, entre outros, os Laboratórios Vitória, a OM Pharma, a Generis – Farmacêutica, a West Pharma ou a Medinfar com os seus centros de investigação e de produção e até de administração na cidade da Amadora e que aqui continuam a querer investir muitos milhões de euros e a criar milhares de postos de trabalho.

Investimento que incentivamos e temos de acarinhar na parte que nos cabe, sendo céleres, ágeis e eficazes na apreciação das suas legítimas pretensões.

Ou a Cidade da Saúde que além do Hospital Fernando da Fonseca, pode contar com o Hospital da Luz - Clínica da Amadora, ou com a Lusíadas Saúde, ou o Hospital Monsanto, ou o novíssimo Hospital da Trofa a abrir brevemente.

Mas o Município, neste particular, e aqui permitam-me uma palavra para a Senhora Presidente Carla Tavares, que tem sabido ver o futuro e concretizá-lo no presente, dizia eu, o Município também tem acompanhado o investimento na saúde e ainda este ano teremos terminada na Reboleira uma novíssima Unidade de Saúde, que servirá mais de 22.000 utentes e na Buraca outra novíssima Unidade de Saúde que servirá idêntico número de utentes.

Sabemos que os medicamentos assumem um papel central na conquista em saúde e sabemos da importância do valor da indústria do medicamento para a nossa cidade e para o nosso país.

Sabemos do valor acrescentado que as empresas da área da saúde trazem à sociedade e à economia sobretudo num momento em que Portugal tanto necessita de encontrar oportunidades e diversificar investimentos.

A Amadora tem condições para atrair empresas que aqui produzam medicamentos inovadores, como vai acontecer já este ano, aqui na Amadora, com o enorme impacto que directamente ocorrerá na economia da cidade e do país.

E se falamos constantemente em emprego de qualidade não nos podemos esquecer que este é um sector que emprega 60% da sua mão de obra ligada ao I&D de inovação, com quase 30% de doutorados da sua força de trabalho directa.

Sabemos que a área da Saúde utiliza tecnologia avançada, promove emprego altamente qualificado, contribui para o investimento em inovação, estimula as exportações e gera, no seu conjunto, impactos positivos em diversas áreas da sociedade.

Temos de manter e reforçar para a cidade da Amadora esta imagem de que somos cidade apetecível, responsável e incentivadora da área da Saúde que sabemos contribui para o reforço da competitividade e da performance económica e social da cidade.

A nós autarcas compete-nos sempre fazer o mais simples que é não criar obstáculos às empresas, assumindo o potencial das áreas económicas que funcionam bem, como é o caso da Saúde na nossa cidade.

Uma palavra para a Cidade do Conhecimento, com a nossa Academia Militar, ou a Escola Superior de Teatro e Cinema ou os Institutos, como a Gustave Eiffel, e a excelente rede de Escolas Públicas, aos seus vários níveis, sem a qual não seria possível termos dado os saltos quantitativos e qualitativos alcançados pelo sector da Educação na nossa Cidade.

Temos de continuar a projectar a cidade como um centro de excelência, neste particular, onde todos os estabelecimentos de ensino têm um papel determinante para que tenhamos uma comunidade mais enlaçada, mais coesa e com mais futuro, porque com mais conhecimento.

Minhas Senhoras e meus Senhores

Há quem diga que não cabe aos autarcas fazer cidade.

Talvez, mas eu tenho a certeza que cabe aos autarcas criar as condições para que os investidores públicos ou privados façam Cidade.

E neste particular o Executivo não tem perdido tempo e está a intervir na fantástica zona da Falagueira/Venda-Nova, e que será uma área de excelência, para a concentração de actividades económicas e de serviços o que a classificará como uma nova Centralidade Urbana que marcará a Cidade da Amadora.

Por isso, peço-lhe Senhora Presidente que incentive a aceleração da Revisão do PDM, porque, contrariamente a algumas opiniões, a minha é a de que este PDM de última geração tem de ser e pode ser relevantíssimo para o futuro da nossa Cidade.
Por último uma palavra para a Amadora Solidária.

A actual governação da cidade, sempre estabeleceu como política determinante, neste particular, o ajudar a acabar com a pobreza.

Não só a pobreza extrema, mas todas as formas de pobreza.

Daí que o Conselho Local de Acção Social [CLAS] tenha um papel tão relevante na articulação e congregação de esforços de todos os seus membros, contribuindo também para a erradicação ou minimização da Pobreza e da Exclusão Social.

Esta Amadora Solidária, que conta sempre com a dinâmica da Câmara Municipal, e das Juntas de Freguesia, muito deve a uma correcta articulação das políticas públicas promovidas pelo Município com a acção concreta de instituições como o Casal Popular da Damaia, a Fundação AFID – Diferença, a AMORAMA - Associação de Pais e Amigos de Deficientes Profundos, o Centro de Bem Estar Social da Amadora (CEBESA), a CERCIAMA - Cooperativa de Educação e Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados da Amadora, ou a Santa Casa da Misericórdia, entre outras, nomeadamente o enlaçamento e o profundo trabalho das diversas congregações religiosas que trabalham na nossa cidade, sem esquecer todo o movimento associativo e o seu profundo contributo para a coesão da nossa comunidade.

A economia social é um dos pilares determinantes da coesão das sociedades modernas, tantas vezes marcadas pelo egoísmo, pelo salve-se quem puder, pelo não ligar ao outro, pela satisfação imediatista dos nossos interesses mais egoístas e banais.
Uma sociedade decente, respeitada e respeitável tem de ser uma sociedade solidária em que a expressão constitucional “imanente dignidade da pessoa humana” seja o alfa e o ómega da sua existência, e não mais uma mera expressão para embelezar discurso de político.

Também esta Amadora Solidária tem tido a capacidade para assumir nas suas mãos o seu destino colectivo, tal a força das suas instituições e a relação que a Câmara e as Juntas de Freguesia têm estabelecido, de forma profunda, estando sempre na linha da frente na defesa dos mais carenciados, principalmente os mais idosos que, a maioria das vezes, dependem das instituições de solidariedade para terem um fim de vida com o mínimo de dignidade.
E assim tem de continuar a ser.

Assim temos de continuar a exigir que seja na Assembleia Municipal, na Câmara ou nas Juntas de Freguesia, custe o que custar.

Com a consciência de que a actividade dos autarcas floresce no serviço prestado à população local, principalmente à mais carenciada, porque é esse o verdadeiro valor e missão de uma Autarquia Local.

Viva o 25 de Abril.

Viva a Amadora.

Viva Portugal.

Discursos:

MIPA: Carlos Pagará 

PAN: Patrícia Caeiro 

BE: Ackssana Rodrigues da Silva 

CDS-PP: Ana Catarina Bandarra

CDU: Martinho Baptista
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PPD/PSD: Rita Nery

PS: Fábio Ramalho

Presidente CMA: Carla Tavares

Presidente AMA: António Ramos Preto