- Ano: 2026
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Detalhes
CATEGORIA: Voto de Pesar
ID: VP.003-AMA-2026
DATA DA DELIBERAÇÃO: 2026/03/31
ORIGEM: Todos os Grupos Municipais e Forças Politicas
FORMA DE VOTAÇÃO: Nominal
DELIBERAÇÃO: Aprovado por Unanimidade
RESUMO:
Voto de Pesar apresentado por todos os Grupos Municipais e Forças Políticas, relativo a “Pelo Falecimento de António Lobo Antunes” e ao abrigo da alínea a) do n.º 1 do artigo 53.º do Anexo I à Lei n.º 75/2013 de 12 de setembro, na sua atual redação, e alínea d) do n.º 2 do artigo 36.º do Regimento.
A Assembleia Municipal da Amadora, reunida em sessão extraordinária,deliberou aprovar o Voto de Pesar Pelo Falecimento de António Lobo Antunes.
Documentos
Faleceu, no passado dia 5 de março de 2026, aos 83 anos, António Lobo Antunes, uma das mais marcantes figuras da literatura portuguesa contemporânea.
Nascido em Lisboa, em 1 de setembro de 1942, filho de João Alfredo Lobo Antunes e de Margarida de Almeida Lima, foi o mais velho de uma fratria que se viria a destacar na sociedade portuguesa, tendo crescido embebido de cultura e ciência.
Em 1969, licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com posterior especialização em Psiquiatria, tendo exercido a sua profissão no Hospital Miguel Bombarda nos primeiros anos de carreira.
Foi mobilizado para o Serviço Militar em 1970, tendo rumado a Angola no ano seguinte para servir durante 27 meses na Guerra Colonial como médico militar. Esta experiência viria a marcar profundamente a sua vida e, de igual modo, a sua obra literária.
Iniciou o seu percurso literário em 1979 com a publicação de Memória de Elefante e, ainda nesse mesmo ano, deu à estampa Os Cus de Judas, obras que lhe granjearam imediato reconhecimento do público e da crítica. Os anos que se seguiram destacaram-se pelo aprofundamento da sua produção literária com obras como Conhecimento do Inferno (1980), Explicação dos Pássaros (1981) e Fado Alexandrino (1983).
Em 1985 publicou Auto dos Danados, obra agraciada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o primeiro dos dois que viria a receber pela sua obra literária. É a partir deste mesmo ano que se dedica em exclusivo à atividade literária em detrimento da sua atividade clínica.
Ao longo das quatro décadas seguintes expandiu o seu espólio e legado culturais com a publicação de mais de três dezenas de romances, dos quais se destacam A Ordem Natural das Coisas (1992), A Morte de Carlos Gardel (1994), Manuel dos Inquisidores (1996), O Esplendor de Portugal (1997) ou Eu Hei-de Amar Uma Pedra (2004).
A sua escrita, marcada por uma profunda densidade psicológica e por uma inovadora construção narrativa, afirmou-o como uma das vozes mais originais e exigentes da literatura europeia contemporânea.
Reconhecido em Portugal e além-fronteiras, viu a sua obra publicada em dezenas de línguas, sendo um dos autores portugueses mais traduzidos de sempre. Figura central da literatura e da cultura portuguesas, construiu um percurso incontornável, distinguido com diversos prémios literários, entre os quais se destacam o Prémio União Latina (2003), Prémio Fernando Namora (2004), Prémio Jerusalém (2005), Prémio Ibero-Americano de Letras José Donoso (2006), Prémio Camões (2007), Prémio Terenci Moix (2008) e Prémio Juan Rulfo (2008). Trata-se igualmente do segundo autor português (a par de Fernando Pessoa) cuja obra integra a coleção da prestigiada Bibliothèque de la Pléiade, conforme anúncio de 2018.
Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal (2004), com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (2019), com a Grã-Cruz da Ordem de Camões (2025), com o Grande-Colar da Ordem de Camões (2026, a título póstumo) e designado Comendador da Ordem das Artes e das Letras de França (2008). Recebeu ainda a distinção de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2008), pela Universidade Babeș -Bolyai de Cluj-Napoca, Roménia (2014) e pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Peru (2022).
A partida de António Lobo Antunes empobrece a cultura e a literatura portuguesas. Pela singularidade e excelência do seu percurso e da sua obra, que o consagraram como um dos maiores representantes da literatura, da língua e da cultura portuguesas das últimas décadas, bem como pelo legado que deixa e que perdurará para as gerações vindouras, torna-se fundamental reconhecer António Lobo Antunes, o Homem, o Escritor e a Obra.
A Assembleia Municipal da Amadora, na sua Sessão Extraordinária de 31 de março de 2026, por proposta conjunta de todos os Grupos Municipais e Forças Políticas, delibera:
1.Aprovar o presente Voto de Pesar, manifestando o seu profundo pesar pelo falecimento de António Lobo Antunes, apresentando as mais sentidas condolências à sua Família;
2.Guardar um minuto de silêncio em memória de António Lobo Antunes;
3.Incluir o nome de António Lobo Antunes na toponímia da cidade;
4.Dar conhecimento do presente Voto de Pesar à família de António Lobo Antunes.
O Grupo Municipal do PS O Grupo Municipal do PSD
João Vieira Alexandre Resende
O Grupo Municipal da CHEGA O Grupo Municipal do CDS-P
Tânia de Paiva Nuno Pereira
O Grupo Municipal da CDU O Partido MPT
Sónia Baptista Jorge Inácio
O Partido LIVRE O Partido Iniciativa Liberal
Hugo Lourenço Bruno Nogueira
AMA | Extrato da Ata




