- Ano: 2019
Detalhes
CATEGORIA: Voto de Pesar
ID: VP.003-AMA-2019
DATA DA DELIBERAÇÃO: 2019/06/27
ORIGEM: Grupo Municipal da CDU
FORMA DE VOTAÇÃO: Nominal
DELIBERAÇÃO: Aprovação por unanimidade
RESUMO:
Voto de Pesar apresentado pelo Grupo Municipal da CDU “Pelo Falecimento de Ruben de Carvalho [1944-2019]”.
Documentos
Faleceu no passado dia 11 de Junho, aos 74 anos, Ruben de Carvalho, em consequência de problemas de saúde que exigiram internamento hospitalar.
Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva nasceu em Lisboa, em 21 de Julho de 1944 e residia, há muitos anos, no Município da Amadora, numa casa na Venda Nova, que era a imagem da sua vida dedicada à militância política e de homem de cultura, melómano e das letras.
A sua residência estava transformada numa casa-biblioteca, cheia de livros, discos de vinil, posters e colecção de jornais, que reflectiam tanto as suas opções políticas - foi militante e dirigente do Partido Comunista Português, como era a imagem da sua vasta formação cultural, que gostava tanto de fado como de jazz, passava pelos blues e pela música americana, em que era especialista. Foi, desde a primeira edição, em 1976, um dos organizadores da Festa do «Avante!»
Ruben de Carvalho foi um homem e um cidadão da Amadora e do Mundo.
Ruben de Carvalho teve uma vida de intervenção e de luta na resistência antifascista e abraçou com intensidade a Revolução de Abril, tendo deixado um contributo pessoal de grande relevo no conhecimento da música, na sua dimensão artística, cultural e social, transmitindo tanto as suas raízes populares como a sua dimensão erudita.
Ruben de Carvalho distinguiu-se na senda política como um grande lutador pelo progresso e desenvolvimento de Portugal, tendo exercido uma larga actividade, pela Liberdade e pela Democracia.
Desde muito jovem teve intervenção activa na luta antifascista. Enquanto estudante integrou, em 1960, a Direcção da Comissão Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Liceal e da Comissão Nacional do Dia do Estudante (de 1961 a 1964). Já estudante do Ensino Superior participou na luta académica em 1962. Em 1963 integrou a Direccão da Comissão Pró-Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa e no ano lectivo de 1964/1965 foi membro da Reunião Inter-Associações (RIA), sendo o responsável pelo Departamento de Informação.
Esta activa intervenção no movimento estudantil levou a perseguições constantes, por parte da polícia do regime fascista – PIDE – e às prisões fascistas de Caxias e do Aljube. Foi preso seis vezes pela polícia política, a PIDE, em 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965/1966 e a última em 7 de Abril de 1974, que o fez ironizar: «Tiveram a fineza de me apresentar todas as prisões do fascismo».
Após o 25 de Abril desempenhou importantes tarefas, cargos e responsabilidades. Neste sentido, designadamente, foi chefe de gabinete do ministro Pereira de Moura; deputado à Assembleia da República, eleito em 1995; vereador nas câmaras municipais de Setúbal e Lisboa.
Foi repórter e redactor coordenador de «O Século» em 1963 e editor-paginador em 1971. Chefe de redacção da «Vida Mundial» em 1967. Teve colaborações em numerosas publicações: «Seara Nova», «Notícias da Amadora», «O Diário», «Diário de Lisboa», «Século Ilustrado», «Contraste», «JL», «O Militante», «Politika», «História», «Vida Mundial» (nova série), «A Capital», «Expresso». Foi cronista no «Diário de Notícias» e comentador da SIC Notícias. Dirigiu entre 1986 e 1990 a radio local «Telefonia de Lisboa» na qual produziu e realizou diversos programas. Foi membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002. Produzia, desde 2009, o programa «Crónicas da Idade Mídia» e participou no programa «Os Radicais Livres» na Antena 1.
Foi autor de vários livros, designadamente, o «O Dossier Carlucci-CIA», «As Músicas do Fado», «As Palavras das Cantigas» (livro póstumo de Ary dos Santos) e «Seis Canções da Guerra de Espanha».
Foi membro da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de LISBOA 94 - Capital Europeia da Cultura, Comissário para as áreas de Música Popular e Edições de LISBOA 94 e Director artístico nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa do Festival das Músicas e Portos (1999). Membro do Conselho Directivo do Centro Cultural de Belém.
Foi deputado na Assembleia da República, eleito pelo círculo de Setúbal, nas eleições de 1995, vereador da Câmara Municipal de Setúbal, eleito pela CDU, em Dezembro de 1997 e vereador na Câmara Municipal de Lisboa, eleito pela CDU, entre 2005 e 2013. Foi responsável na CML pelo Roteiro do Antifascismo.
Foi membro da Comissão Executiva das comemorações do 25.º Aniversário do 25 de Abril nomeado pelo Presidente da República.
Pelo seu percurso e exemplo de vida, a Assembleia Municipal da Amadora, reunida a 27 de Junho de 2019:
1 – Aprova o presente «Voto de Pesar», pelo falecimento de Ruben de Carvalho.
2 – Manifesta à sua família e, em particular, à sua companheira de vida e de luta, Madalena Santos, assim como ao P.C.P., as mais sentidas condolências, transmitindo o teor deste «Voto de Pesar».
O Grupo Municipal da CDU
Francisco Santos