- Ano: 2019
Detalhes
CATEGORIA: Voto de Pesar
ID: VP.004-AMA-2019
DATA DA DELIBERAÇÃO: 2019/10/23
ORIGEM: Grupo Municipal do PS
FORMA DE VOTAÇÃO: Nominal
DELIBERAÇÃO: Aprovação por unanimidade
RESUMO:
Voto de Pesar pelo “Falecimento de Rogério Rodrigues”.
Documentos
No passado dia 8 de Outubro faleceu, no Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora, um homem singular: Rogério Rodrigues. Era natural da pequena aldeia de Peredo dos Castelhanos, concelho de Torre de Moncorvo, onde nasceu em 17 de Fevereiro de 1947.
Aos dez anos parte para Macau, de barco, entregue aos cuidados da tripulação, para frequentar o Seminário de São José, dirigido pelos jesuítas. Insubmisso, e pouco propenso à aceitação da disciplina e regras da instituição, rapidamente descobrem os seus tutores, e ele próprio, que não tem vocação para a vida religiosa.
Frequentou o curso de Filologia Românica da Universidade de Lisboa, que interrompe, para se dedicar, durante algum tempo, ao ensino.
Começou as suas lides literárias aos 25 anos, quando publicou o Livro de Visitas (poesia, 1972). Na ficção iniciou-se em 1981, com a novela A Outra Face da Morte. Também é da sua lavra a História do Ensino em Portugal, que escreveu para a Editorial Veja, em finais dos anos 70. Na década seguinte, funda, com Fernando Dacosta e Francisco Vale a Editora Relógio de Água.
Em 1974 inicia a sua carreira de jornalista no Diário de Lisboa. É o início de uma longa carreira, que culmina como grande repórter, deixando trabalho seu em dezenas de periódicos.
Primeiro Prémio da Associação 25 de Abril com a reportagem 25 de Abril, dez anos depois. Autor dos textos de cinco biografias para a RTP: Salazar, Marcelo Caetano, Sá Carneiro, Mário Soares, Álvaro Cunhal. Autor do texto do documentário Gente do Norte (com vários prémios internacionais) do realizador Leonel Brito, da reportagem para a RTP (programa Grande Reportagem) Macau, 40 anos depois e dos textos Encomendação das Almas e Guerra Junqueiro (RTP).
Pertenceu ao Grande Oriente Lusitano. Escolheu como seu nome simbólico maçónico o nome de Antero de Quental. Usou também o pseudónimo literário de Pedro Castelhano, em homenagem à sua terra natal. Sob este nome publicou o livro de poemas (Re) cantos d’Amar Morto, cujo lançamento foi feito na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, em 2011.
Fundou, na Amadora, onde viveu a maior parte da sua vida, o semanário GrandAmadora, que dirigiu desde a sua fundação em 1994 até ao seu encerramento em 2001.
Foi o primeiro Director do Centro de Ciência Viva da Amadora, inaugurado em Setembro de 2003.
A sua última participação como jornalista foi como director-adjunto de A Capital, de que foi Director Luís Osório.
Durante anos foi, por diversas vezes, membro do júri do Prémio Literário Orlando Gonçalves, na Amadora. Em representação da Câmara Municipal.
Desde sempre conotado com a esquerda política, Rogério Rodrigues, quando considerou estar definitivamente afastado dos jornais, não perdendo por isso a equidistância e independência, aderiu finalmente a um partido político, o Partido Socialista, na Secção da Amadora, onde se tornou militante em 2003.
Homem profundamente solidário, por vezes de trato difícil, fez o seu regresso às origens, depois que se afastou da vida profissional activa, passando grandes temporadas na Torre de Moncorvo.
Começou pela poesia e com ela terminou a sua vida literária. Seguramente um dos maiores poetas portugueses da transição do século XXI, deixou dezenas de cadernos com os seus apontamentos, pensamentos e poemas, que deverão pela sua valia ser resgatados do olvido.
À sua viúva, a médica Arlete Rodrigues, que desempenhou as funções de 1.ª Secretária desta Assembleia Municipal, e aos seus filhos, Tiago e Diogo, deixamos a nossa solidária manifestação de pesar.
O Grupo Municipal do PS
João Vieira